26 julho 2005

Só ares de presidenciais.

Tenho seguido com relativa atenção as notícias sobre os eventuais candidatos presidenciais e fiquei pasmado com a recente opção do PS. Não é que este partido vai recorrer ao seu líder histórico para tentar evitar que, pela primeira vez, a direita eleja o P.R.. Horripilante.
Antes de qualquer outro comentário, quero salvaguardar que Mário Soares é uma personalidade pela qual nutro o maior respeito e grande simpatia, nada tendo contra a sua pessoa ou particularmente, contra a sua candidatura.
As opções - civis - do partido socialista em todas as eleições presidenciais anteriores recairam sobre secretários gerais (Soares e Sampaio), assim resta como recurso análogo e não repetitivo António Guterres e António Almeida Santos. Mas, o 1º está na ONU e o 2º, já perdeu eleições para Cavaco (1985) e está conotado com o processo de descolonização de triste memória (não por si mesma, mas pela forma como foi conduzida), que ainda hoje poderá ter efeitos negativos numa candidatura sua.
Um partido que está no governo, que venceu as eleições legislativas com maioria absoluta à menos de 6 meses, que sempre se propôs como alternativa credível a timoneiro deste país, demonstra ao fazer uma opção como esta, quão parca é a sua fonte de recursos credíveis para lugares como este. Mais, denota uma confrangedora falta de capacidade para produzir personalidades de vulto que consigam reunir um consenso em torno de si. Se Soares for o candidato apoiado pelo P.S., temo pela democracia portuguesa, temo pelo futuro do país. Quem teve 10 anos para prepar um candidato presidencial credível e apresenta um fundador com a respeitável idade de 81 anos, que país é que nos preparará em 4 anos?

21 junho 2005

Sem dó nem Michelin

O último Grande Prémio de fórmula 1 realizado em Indianápolis nos E.U.A., ficou marcado pelo abandono do mesmo por parte das equipas fornecidas pela Michelin.
De facto, o fabricante de pneus, após o acidente ocorrido com Ralf Shumacher, não conseguiu identificar a causa para a falha ocorrida, tendo entrado em contacto com o Director de Corrida e com o Delegado de Segurança da F.I.A., informando-os que no interesse da segurança tinha comunicado às equipas suas parceiras, que não garantia que todos os pneus utilizados na qualificação podessem ser utilizados a menos que, fosse criada uma chicane na curva 13 de modo a reduzir a velocidade dos veículos.
Surpreendente.
Em resposta, a F.I.A. demonstrou-se surpreendida pelas dificuldades demonstradas, uma vez que cada equipa pode se fazer acompanhar de dois tipos de pneus, de modo a assegurar um back-up (de menor performance) quando surgem problemas. Mais surpreendida se demonstrou atendendo aos anos de experiência que o fabricante tem no circuíto de Indianápolis.
Demonstrou-se ainda convicta que as equipas afectadas iriam ser informadas da velocidade de segurança para a curva 13 e afirmou que iriam reiterar este aviso por razões de segurança.
Esta entidade apontou ainda uma segunda solução.Esta consistia em, pelas mesmas razões de segurança, se os stewards verificassem que os pneus afectados estavam em risco de falhar, os mesmos poderiam ser trocados a cada dez voltas.
A Michelin pressionou então a F.I.A., afirmando que sem a criação das excepções solicitadas não iria competir.
O que ressalta desta estória é que o fabricante de pneus falhou estrondosamente na preparação deste G.P., pressionou a F.I.A., colocando-se numa situação sem retorno possível e, como esta manteve-se impávida e serana respeitando os regulamentos do conhecimento de todos, não criando regimes de excepção, todas as equipas fornecidas com pneus Michelin tiveram de abandonar.
A F.I.A. tomou a decisão correcta. A Ferrari, Jordan e Minardi, tiveram problemas no início de época devido aos pneus. Ninguém nesta altura se preocupou em alterar as regras quando, sobretudo o M.Shumacher e o R.Barrichelo perdiam 2 segundos por volta.
Assim, não correu quem não era competitivo neste G.P. pelo que o resultado final do mesmo, espelha a verdade desportiva do fim de semana.
Os pilotos das equipas mais pequenas, entre os quais se inclúi o nosso Tiago Monteiro, defrontam-se todas as corridas com a falta de competitividade dos seus carros, perdendo 4, 5, 6 segundos por volta e lutam com as suas armas até ao fim sem fazer birras.
Neste fim-de-semana, por via da qualidade dos pneus, eram mais competitivos que os outros e tiraram partido disso com toda a honra.
Indianálopis foi triste para a Fórmula 1, não por causa da F.I.A., Bridgestone, Ferrari, Jordan ou Minardi, mas sim porque quem cometeu o erro crasso, não o quis assumir resolvendo lançar a polémica.
Resta-me endereçar os mais sinceros parabens ao Tiago Monteiro pelo seu primeiro pódio e aguardar que ele lhe traga a hipótese de ter melhor material (pelo menos carro, porque os pneus parecem agora ser bons) para poder discutir posições de destaque com mais frequência.
"O primeiro passo é o início de uma longa caminhada" Provérbio Chinês