18 outubro 2011

Reeleição de Alberto João Jardim: um dilema



A vitória de Alberto João Jardim nas últimas eleições regionais da Madeira deixa-me com um pensamento confuso. Por um lado, é injusta, dadas as suas “virtudes” pessoais e os problemas que criou. Por outro, é completamente certa: se foi ele que criou a situação, será também A.J.J. a lidar com ela e com as suas consequências.

CARLOS CESAR: O POLÍTICO QUE CUMPRE COM A PALAVRA



Carlos Cesar está a frente do governo regional dos Açores há 15 anos, o que, sendo muito tempo, pode ser considerado como pouco, quando comparado com os 33 anos do seu congénere da Madeira Alberto João Jardim.
Nas eleições de 2008, Carlos César anunciou que este seria o seu último mandato e, ao que parecem será mesmo, dado que já veio confirmar que não se recandidata.

Podemos ser levados a pensar que terá, eventualmente, objectivos mais elevados mas, infelizmente, é de salientar que um político vai cumprir com a sua palavra nos dias de hoje.

08 outubro 2011

Crise + FMI = EUROMILHÕES PARA OS EMPRESÁRIOS



Num cenário de crise de contas públicas, em que o estado tem dificuldade de se financiar normalmente nos mercados, quer por falta de procura para os seus títulos, quer por o preço exigido ser incomportável, é normal o recurso à intervenção do F.M.I..
É o nosso caso actual, mas com a particulariadde de intervirem também a União Europeia e o Banco Central Europeu, formando a famigerada Troika, devido a fazermos parte daquela união aduaneira e de termos aderido à moeda única “Euro”.

Também é normal que, quando um credor empresta dinheiro a um devedor que já se encontre em dificuldades, lhe venha a colocar determinadas exigências comportamentais futuras, de modo a assegurar que os seus créditos serão satisfeitos no respectivo vencimento.

Assim, as medidas de austeridade definidas no acordo entre PS, PSD, CDS e a Troika, fazem sentido na medida em que estas conduzem ao cumprimento das nossas obrigações financeiras internacionais enquanto Estado.

Parece, no entanto, que quem irá pagar a “factura” da nossa desgovernação pós 25 de Abril serão, exclusivamente, os trabalhadores, com especial enfoque sobre a classe média.

A redução da Taxa Social Única (T.S.U.) e a profunda alteração das leis laborais com claro prejuízo para o trabalhador e correspondente benefício para as entidades empregadoras, são disso um exemplo claro que, sem qualquer dúvida, vai ser utilizado abusivamente pelos nossos empresários, que irão despedir indiscriminadamente e efectuar novas contratações para os mesmos lugares, mas com salários substancialmente mais baixos que os anteriormente praticados, acentuando ainda mais as grandes diferenças de rendimentos que já vigoram em Portugal.

Este governo ultraliberal, liderado pelo Ultra-ultra liberal Pedro Passos Coelho, está ansioso por entregar o Jackpot do Euromilhões aos empresários portugueses e por fazer de Portugal o Brasil antes de Lula da Silva.

Tributo a Steve Jobs



Faleceu no passado dia 5 de Outubro o co-fundador da Apple Steve Jobs (Steven Paul Jobs). Nascido a 24.02.1955, este californiano destacou-se pelo seu empreendedorismo e pelo seu génio visionário. Desenvolveu e comercializou uma das primeiras linhas de computadores pessoais na década de 70 e foi o primeiro a perceber o potencial da interface gráfico para o utilizador através da utilização do rato, no início da década de 80. Já neste século, sem ele não teríamos o iPhone e o ipad.
Apesar do seu rasgo ter deixado planos para o Apple até 2015, o mundo não será mais o mesmo sem o seu génio criativo.
Pode-se mesmo dizer: Há um antes e um depois de Steve Jobs.

Os cortes na despesa do governo PSD/CDS


Em cada vez que o actual governo vem anunciar cortes na despesa pública, verificaram-se novos aumentos de impostos, apesar da elasticidade tributária do português comum estar à muito estilhaçada. Por isso caros governantes, não façam mais cortes na despesa do estado. Eu já estou satisfeito!

25 setembro 2011

Miúdo chega ao 8º ano sem saber ler nem escrever!



Simplesmente inacreditável.
O Marcos tem 16 anos (no momento da reportagem tinha 15) e apesar de andar na escola há cerca de 10 anos, não sabe ler, escrever ou contar. Sabe assinar o nome e mal! Não tem a mínima ideia geográfica sobre o país onde vive e muito menos, obviamente, sobre o mundo. Quando lhe perguntam sobre uma cidade portuguesa que conheça, responde ... França!!!! Não tem a mínima ideia sobre a era em que vive, sequer sobre a data do próprio nascimento, pois acha que nasceu a "27 do 3 de 1600"!
Apesar de tudo isto, Marcos frequenta o 8º ano de escolaridade embora, há 20 anos atrás, o nível dos seus conhecimentos fosse mais adequados para o 8º dia de aulas na 1ª classe. Incrivelmente (ou não), a directora da escola não só não se mostra minimamente preocupada com a ineficácia de um sistema de ensino, que permite a um aluno transitar sucessivamente de ano sem um mínimo de conhecimentos adquiridos, como também ainda vem concordar com ele, afirmando que se trata de um incentivo à presença do aluno na escola.
Portanto, nos dias de hoje, a aprovação não depende de nada, sendo um dado adquirido para qualquer um. O mérito do aluno na aquisição de conhecimentos é acessório, ou seja, se ele aprender alguma coisa, porreiro pá, se não aprender, vamos lá passá-lo de ano se não ele não vem à escola. Tudo isto por causa dos números (e talvez algo mais). Mais precisamente para apresentar um número de pessoas com uma dada escolaridade no país, ainda que fictícia, uma determinada taxa de aprovação e ainda, para termos o máximo de alunos nas escolas. Se existisse abandono e com o decréscimo de natalidade verificado em Portugal nos últimos anos, mais escolas iriam fechar e menos professores seriam colocados. Só desta maneira é compreensível que uma classe tão contestatária como a docente, não se tenha manifestado contra este tipo de situação. Em minha opinião, para um aluno frequentar a escola não é necessário a “promessa” de aprovação. Basta que o estado intervenha e ameace retirar o aluno à família, pelo menos durante o tempo lectivo, por manifesta incapacidade de exercício do poder paternal.
Agora, pessoas com o 9º ou 12º ano, sem qualquer tipo de qualificação é que não pode ser possível, não só porque representa um desperdício dos preciosos recursos do estado, como também porque acarreta o arrastamento do atraso do país e o surgimento de dramas pessoais futuros. Mais, esta falta de rigor representa, também, uma gritante falta de respeito pelos alunos que meritoriamente atingiram as qualificações académicas citadas.
Termino com uma pergunta. Será que o objectivo dos sucessivos governos que permitiram este descalabro, para além da questão numérica, também foi descredibilizar o ensino público para abrir as portas ao ensino privado?

24 setembro 2011

Contra o bicho da madeira

Vamos esclarecer os cidadãos

Já que colocam nos maços de cigarros avisos sobre os seus efeitos na saúde, porque não colocar também:
  • Menções do mesmo teor nos pacotes de batatas fritas;
  • Alusões a animais torturados, nas embalagens de cosméticos;
  • Histórias de pessoas sem abrigo, nas contas de água e luz;

E ainda,

Nas guias de pagamento de impostos, identificação de políticos corruptos, bem como, as verbas que o estado colocou no BPN, os montantes gastos nas revisões das Parcerias Publico Privadas, os desvios orçamentais no Continente e na Madeira, ...

Fica a proposta.

17 setembro 2011

Como capturar Muammar Khadafi




Querem capturar Muammar Khadafi?
Então basta noticiar que o Benfica está interessado nele, que o F.C. Porto vai busca-lo!

11 setembro 2011

11 de Setembro: 10 anos depois



Passaram 10 anos sobre o dia em que foram assassinadas mais de 3.000 pessoa e que mudou a forma de funcionar o mundo em que vivemos.
Quem viveu não esquece, quem apenas viu também não!
Não há nada que justifique tamanha crueldade.

Paz à alma dos que faleceram e alento aos seus entes queridos.

01 setembro 2011

Querida os miúdos vão caber na creche?


O governo vai cancelar a construção de novas creches e aumentar a lotação nas existentes sem, muito provavelmente, as adequar em termos de espaço e de recursos humanos. No futuro teremos de levar uns beliches se quisermos que os miúdos lá permaneçam.

31 agosto 2011

O regresso




Depois de ter esperado pelos 2 primeiros meses de governação PSD/CDS para ver do que estes senhores são capazes, já não restam dúvidas: com Passos Coelho teremos impostos ao nível da Suécia e benefícios do Estado ao nível do Burkina Faso.
Agora é que não temos futuro.

A troika por Pinto da Costa

21 julho 2011

FMI - Nova camisola



02 julho 2011

Benfica - Notícia de Última Hora

A ASAE está a obrigar os Cafés e outros estabelecimentos comerciais a trocar as mesas de matraquilhos em virtude do novo plantel do Benfica.
O novo equipamento a adquirir será este:

01 julho 2011

Qualidade: A TVI consegue pior?


Foi curioso ouvir Pais do Amaral, presidente não executivo da Média Capital a defender a continuidade deste canal no sector público. Para além da ideia desconcertante de ouvir um liberal, que defende a livre concorrência (desde que não se aplique a ele) a alegar a favor da continuidade do Estado num sector empresarial, é hilariante escutar que, se a RTP fosse privatizada, as receitas da publicidade seriam menores para as estações privadas e que daí resultariam consequências ao nível da qualidade dos seus conteúdos.
Pergunto: será que a TVI consegue ainda degradar a paupérrima qualidade da sua programação?

Strauss-Kahn Libertado


O Juiz decidiu libertar Dominique Strauss-Kahn, antigo director do F.M.I., depois de os investigadores terem encontrado contradições no testemunho da empregada que o acusava de violação.

Num post de 31 de Maio expus a minha visão sobre o assunto, enunciando algumas das razões que me levavam a considerar que se tratava de uma conspiração para afastar D.S.K. da direcção do F.M.I.. Pois bem, 3 dias após a eleição de Christine Lagarde para a sua antiga função, Strauss-Kahn é libertado.
Alguns podem dizer que finalmente o poder da pessoa em questão surtiu efeito, mas a realidade é que não se detém um homem desta natureza com o fólclore criado. A encenação durou apenas o tempo estritamente necessário para a demissão e substituição de D.S.K..

20 junho 2011

O povo grego agrilhoado


Hoje, na reunião de ministros das finanças da Zona Euro deverá ficar decidido mais uma tranche de 12 mil milhões de euros do pacote de resgate à Grécia.
Mais um capítulo desta tragédia grega moderna, com um final horrendo à vista, patrocinado, quer pelos próprios políticos gregos, quer pelos EUA, Alemanha, França e FMI.
Uma tragédia cujas consequências para o povo fazem lembrar "Prometeu Agrilhoado" de Ésquilo, só que ao contrário da personagem mitológica, que roubou o fogo aos deuses, o povo não roubou nada a ninguém. Mas nem por isso deixam de lhe comer as entranhas todos os dias.

15 junho 2011

Ronaldinho Gaúcho e a Academia de Letras



Não há quaisquer dúvidas que portugueses e brasileiros mais que povos irmãos, são farinha do mesmo saco. Lá como cá dá-se excessivo valor a vedetas de desportos e de outras actividades que pouco ou nada contribuem para o bem comum. Com a agravante destas personagens terem muitas vezes comportamentos pouco abonatórios.
A indignação de Luiz Carlos Prates é completamente legítima.

Novo emblema do Benfica

14 junho 2011

Venham correr comigo



O convite de José Sócrates foi aceite pelos portugueses. Correram mesmo com ele.

13 junho 2011

Estou concentradíssimo sócio ...




A presença de Paulo Futre nos Globos de Ouro revelou-se extremamente concentrada ...

No you can't



Parece que o presidente Obama já estava avisado ...

Às vezes é difícil ser livre



Não tenho nenhuma filiação partidária, pelo que não devo “obediência” de voto a nenhum partido político (se bem que o voto é secreto), nem estou coagido por nenhum potencial interesse pessoal.
Este desapego pessoal sempre permitiu o exercício do meu direito/dever de voto no mais livre espírito e de acordo com a minha consciência.

Mas as opções são muitas vezes difíceis e estas foram as eleições em que, para mim, foi mais crítico decidir em quem votar.
Em quem não votar, nunca tive quaisquer dúvidas porque:

  1. nunca me identifiquei com a mensagem ou a postura do partido comunista;
  2. o bloco de esquerda deixou cair a máscara;
  3. das demagogias do Paulo Portas estou eu cansado, desde os tempos de “O Independente”.

Assim, entre os partidos com representação parlamentar, restavam apenas 2, PS e PSD.

O PS esteve no governo durante 13 dos últimos 16 anos e é, desde logo possível imputar-lhe uma enorme quota da responsabilidade do estado actual do país. Como agravante, o candidato socialista e 1º ministro cessante é um artista do espectáculo, que cometeu inúmeros erros (também fez algumas coisas certas, mas até os relógios parados estão certos duas vezes ao dia …), mas que por força de uma habilidade notória para a mentira e de um descaramento enorme, tanto mentiu, tanto ocultou, que não só enganou muitos, durante muito tempo, como também se iludiu a ele próprio. Entregar o “processo de recuperação da empresa” ao gestor que a faliu seria, no mínimo, insensato.

O PSD apresentou como candidato um ex-lider da JSD, Pedro Passos Coelho. Este será porventura o líder mais liberal de sempre deste partido e a equipa que o acompanha aproxima-se perigosamente do ultraliberalismo. Nunca tive com receio da destruição do estado-social que muitos os acusaram, mas que vão entregar muito coisa nas mãos dos “amigos” privados e que vão reduzir muitos benefícios, não tenho quaisquer dúvidas, como também não tenho acerca das alterações que se perspectivam nas leis laborais: serão penalizadoras na parte material mas, sobretudo, na sua qualidade de vida dos trabalhadores.

Portanto, as opções foram entre o desastroso e o péssimo. Nada fácil!

06 junho 2011

Resultados Legislativas 2011


E pronto, já sabemos os resultados das eleições:

PSD - 38,63%
PS    - 28,05%
CDS - 11,74%
CDU -  7,94%
BE   -   5,19%


Finalmente os nosso ouvidos vão ter descanso de tantos disparates, de tantos ataques pessoais. Mas vamos começar a ouvir e a sentir os programas de governo que não foram discutidos na campanha.

01 junho 2011

Legislativas 2011: Tempo de antena do P.N.D.


Eis o tempo de antena da discórdia. Pessoalmente até o acho engraçado, mas para campanha eleitoral é manifestamente abusivo. Estamos em democracia, temos liberdade, mas também devemos respeito pelos adversários e, sobretudo, pelos eleitores.

31 maio 2011

Strauss Kahn, a conspiração




Até ao momento, ninguém sabe ao certo o que sucedeu na suite do Hotel Sofitel de Times Square em Nova Iorque.
Contudo, a tese de conspiração para o afastar do FMI e de uma possível candidatura às presidenciais francesas parece fazer todo o sentido, não obstante existirem antecedentes que indicam desequilibrios no comportamento sexual.

Mas vamos por partes.
Não sou propriamente um frequentador assíduo de hotéis, muito menos de suites, mas ainda assim, tenho experiência suficiente para considera-la relevante. Por isso, não deixo de estranhar que um funcionário entre num quarto, com o hóspede lá dentro e sem prévia autorização deste, numa suite de um hotel de 5 estrelas. Alegar que o cliente já saiu para a funcionária entrar na suite, também não faz qualquer sentido, uma vez que para isso acontecer, a chave/cartão deveria (em princípio) ser depositada na recepção. Mais, se têm câmaras a gravar e sendo o hóspede tão distinto, poderiam dar-se ao trabalho de verificar as imagens para comprovar se tinha ou não saído do quarto, para evitar qualquer acontecimento desagradável. Contudo e estranhamente, ninguém se preocupou com isso, quando até espalham fotografias das personalidades alojadas pelo hotel, para tomarem especial atenção com elas.
Logo, o Hotel gerou um incidente com o director do FMI, independentemente do que eventualmente de tenha passado posteriormente,

Nestas circunstâncias, mesmo que se tivesse passado algo entre Dominique Strauss Kahn (DSK) e a funcionária, a maioria das pessoas sabe que o Hotel procuraria ocultar os acontecimentos para não ser revelada a sua falha e não ser envolvido num escandalo. Provavelmente teriam aliciado/ameaçado a jovem e o caso estava encerrado.

Por isto eu acredito na tese da conspiração. Se não existisse nenhum interesse superior, o Hotel tinha "abafado" o caso.

24 maio 2011

Real Madrid vs Barcelona (2011), ou como fazer um campeão II


Quem vê os jogos da selecção Argentina na América do Sul, sabe que Messi pouco ou nada se vê. Os jogadores sul-americanos são agressivos e não deixam a rapazinho andar à vontade. O Real tem um jogador com essas características: PEPE, logo Mourinho colocou o pupilo a marca-lo na final da taça do Rei. Resultado: Messi quase desapareceu. Durante os 60 minutos iniciais da 1º mão da meia final da Champions, o mesmo estava a suceder e havia um problema para resolver. Assim,é aproveitada 1 entrada imprudente do luso-brasileiro para lhe exibir o vermelho directo, quando o amarelo seria o ajustado. E isto dá bónus: para além dos 30 minutos em inferioridade numérica, o Real perde para a 2ª mão, o jogador que seca Messi! O Barcelona Theater continua sem qualquer reprimenda,

A 2ª mão foi mais 1 ensaio de gozo com quem vê futebol: O golo anulado ao Real é a piada que se sabe, mas, para mim, o momento mais hilariante do jogo foi a falta assinalda ao Di Maria sobre o Puyol, após este ter perdido a bola e colocado a sua baliza em perigo, Enfim, nada que seja de admirar nos últimos 3 anos.

Barcelona - Inter 2010, ou como se tentou fazer um bicampeão



A palhaçada que foi a expulsão de Tiago Mota só se percebe à luz de jogos de interesses. Não existe qualquer intenção em agredir Busquets. Mas o momento foi aproveitado para exibir um cartão vermelho directo. A UEFA sempre tão preocupada com o fair play (sobretudo quando envolve portugueses), não se incomodou nem um pouco com o teatro que o jogador do Barcelona fez. O golo solitário do jogo também foi obtido em fora-de-jogo. Enfim, a ajuda não foi suficiente para passar à final e arrecadar a tacinha.

23 maio 2011

Chelsea vs Barcelona 2009, ou como se faz um campeão



Foram só 4 grandes penalidades que ficaram por assinalar contra o Barcelona, das quais 2 descaradas. Acho especial graça ao árbitro a fugir do Balack, com um ar comprometido. Se estivesse de conciência limpa, tinha parado e exibido o respectivo cartão amarelo. O Barcelona seguiu para a final ... digamos ... com os cumprimentos do árbitro e com festa na Suiça!

20 maio 2011

Liga Europa: Parabens aos finalistas




Portugal esteve ontém representado em Dublin por 2 das melhores equipas do país. Apesar de o espectáculo não ter sido famoso, reconheço que houve empenho e honestidade por parte de todos os jogadores e que o fair play demonstrado, tanto pelos intervenientes, como pelos espectadores dignificou todo o país. Pena é que não seja sempre assim.
Parabens ao FC Porto por mais um troféu conquistado e ao SC Braga por ser um digno vencido e, sobretudo, pela brilhante carreira europeia desta época.

Barcelona interessado em Fábio Coentrão



Segundo alguma imprensa, parece que o Barcelona está interessado nos préstimos de Fábio Coentrão. Penso que faz todo o sentido, dado que o Fábio é um jogador que se vai enquadrar perfeitamente naquele clube. É que, para além de ser um grande jogador, também é ..... um grande fiteiro.

24 abril 2011

Curto e Grosso


Uma grande parte dos eleitores encaram os partidos políticos como clubes de futebol. Esta é uma constatação da realidade indesmentível e ancestral, que agora, inclusive, está a ser usada por Paulo Portas na sua campanha eleitoral. De facto, os dois maiores partidos portugueses conseguem ter pelo menos 20% dos votos, independentemente de terem nas suas rédeas Mário Soares, Sá Carneiro, ou ... o macaco Adriano. O mesmo se verifica, embora com percentagens substancialmente menores, em relação ao PCP e ou CDS.
Esta forma de encarar a política conduziu ao enfraquecimento, em termos qualitativos, dos quadros dos diversos partidos e permitiu o enraizamento do clientelismo partidário. A falta de crítica e de escrutinamento, aliada ao completo alheamento de muitos, permitiu a criação das gigantescas sanguessugas que são os partidos políticos de hoje.
Urge a necessidade de todos tomarmos atitudes mais activas e críticas. Todos temos de participar e de contruir uma nova e melhor democracia. A velha está podre e infestada de doenças.

23 abril 2011

Portugal vai ter um novo rumo (2005)


Este era um dos cartazes das eleições legislativas de 2005 e não obstante haver muita gente a apelidar José Sócrates de mentiroso, não há quaisquer dúvidas que o homem cumpriu o que prometeu.
Para que seja melhor entendida esta afirmação, basta atentar ao quadro seguinte:

                                                  2004                      2010
Défice Orçamental:                  3,4%                      8,6%
Taxa de Desemprego:              6,7%                     10,8%
Dívida Pública:                        58,3%                    92,4%

De facto, José Sócrates e o seu governo conseguiram:
  • aumentar a taxa de desemprego em cerca de 60% (a parte de criar 150.000 empregos era só para dar um toque de humor à campanha);
  • quase triplicar o défice orçamental;
  • aumentar a dívida pública em quase 60%*.
Temos então, que de facto o rumo do país mudou radicalmente. Antes tinhamos uma taxa de desemprego dentro de níveis razoáveis, agora o desemprego e a precariedade no emprego são uma imagem de marca do país; antes, o défice e a dívida pública cumpriam os critérios de convergência, hoje, estão claramente acima, implicando uma chuva de políticas de austeridade que atacam severamente o cidadão português e, neste momento, a própria soberania do estado, depois da necessidade de pedir ajuda à União Europeia e ao F.M.I..

Parabens Sr. José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. Não há muitos políticos que cumprem tão bem as promessas quanto vossa excelência.


*Este valor respeita apenas à dívida do Estado, enquanto administração pública central e periférica. A dívida das empresas públicas não está incluída nos valores de nenhum dos anos, bem como os encargos futuros com as parcerias público privadas, os quais se estimam, em 2010, em cerca de 60 mil milhões de euros. Trata-se de desorçamentação alimentada pelos sucessivos governos desde 1992 e aceite alegremente pela União Europeia.

Naming do Estádio da Luz

Novas Bilheteiras do Sporting

22 abril 2011

O mais recente adepto do Sporting


Apesar do sua lista não ter vencido as eleçiões, o trabalho iniciado por Paulo Futre já dá os primeiros resultados.

Um conflito de gerações latente

"Não nos interessa como. Continua a aguentá-lo!!!"


Anuncia-se um conflito de gerações. Será que os mais novos têm de pagar as múltiplas reformas dos mais velhos que não contribuíram para as ter? Porque razão não fazem a média da vida contributiva destes e lhe aplicam um coeficiente. Porque razão não é atribuída apenas uma pensão a cada pessoa?
Só pode ser por falta de vergonha.

A Segurança Social: Onde Maddoff se inspirou



- Muito bem Madoff! Onde é que foste buscar a ideia de pagar aos primeiros investidores com o dinheiro dos últimos?
- Ao sistema da Segurança Social!


Qualquer semelhança desta brincadeira com a realidade, não é pura concincidência. De facto, os direitos ainda hoje concedidos aos beneficiários mais velhos, não têm qualquer paralelo com o realidade do país. A demografia e o excesso de beneficios relativamente às contribuições entregues pelos mais velhos, conduzem este sistema ao colapso e, consequentemente, os contribuintes mais novos não vão ter quaisquer contrapartidas das suas contribuições.
Será que haverá alguém com a dignidade de colocar justiça neste sistema tão necessário?

24 março 2011

O pedido de demissão do primeiro-ministro


José Sócrates

O primeiro-ministro português José Sócrates apresentou a demissão ao presidente da república, depois do parlamento chumbar o Plano de Estabilidade e Crescimento, esta quarta-feira.
Os partidos da oposição chumbaram, unanimemente, o 4° pacote de austeridade apresentado pelo governo socialista em menos de um ano.
O chefe do executivo acusou a oposição de calculismo político e de colocar os interesses partidários acima do interesse nacional.O presidente Cavaco Silva vai agora reunir-se com o conselho de Estado e só então deverá dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas.

Esperemos que esta demissão sirva para atacar de uma vez a doença de que o país padece, em vez de andarmos a receitar paleativos de 4 em 4 meses, que são caros para os cidadãos, mas que nada resolvem, deixando apenas as carteiras mais vazias.

23 março 2011

O puto que não tem Hi5, Facebook, Twitter, MySpace...




Já estivemos mais longe ...

16 março 2011

Novos Sinais de Transito: Velocidade Instantânea





No passado dia 3 de Março (com entrada em vigor no dia seguinte) foram publicados novos sinais de trânsito em Diário da República. De entre eles destaco o H43 - Velocidade instantânea: indicação de via sujeita a fiscalização de velocidade. Este novo sinal aprovado destina-se a avisar o utente de que este se encontra numa área de fiscalização automática de velocidade.
Penso que todos sabem onde é que o governo quer chegar ...

O Pinhal de Leiria

Um dia na sala de aula, pergunta a professora:
- Sabem a quem é que se deve o pinhal de Leiria?
Responde o menino Joãozinho:
- Ó S'tora, não me diga que também falta pagar essa "porra"!

12 março 2011

Deixem-me trabalhar

Nunca, como hoje foi válida esta frase ...

Até já havia, mesmo sem RSI, quem não soubesse o que é trabalhar!

O Discurso do ... Presidente da República

Percebe-se porque é que o governo não gostou do discurso de tomada de posse do Presidente da República. A salvaguarda das condições de vida das gerações futuras não é compatível com José Sócrates e os seus seguidores. Quem tudo faz para empreender obras megalómanas e sem qualquer sentido para um país com a nossa dimensão e recursos, estando, para mais, este já sobre endividado, está-se nas "tintas" para os que a seguir vêm, está apenas a pensar nos acordos que fez com os "amigos" que o apoiaram nas eleições, esses sim os grandes beneficiários das suas empreitadas. Aliás, duvido que alguém lhe tenha dado autorização, com o seu voto, para ele hipotecar o país para os próximos 20 a 30 anos.

Dizer à juventude que acorde para a vida, dizer aos políticos que honrem as suas responsabilidades, dizer aos empresários que deixem de estender a mão ao estado e que façam pela vida, mandar os beneficíarios do RSI e de outros subsídios que estimulam a inércia de uns e o desespero de outros (os que sem poder pagam impostos confiscatórios) começarem a mexer-se já devia ter acontecido há muito.

É evidente que os jornalistas e os políticos ganham a vida a falar sobre e a fazer política. Analisar um discurso com base em frases soltas e descontextualizadas é a forma de estar que têm e que lhe interessa. A verdade não convém, as soluções acabam com as conversas, os artigos da treta e com os programas televisivos. Contudo, deviam era ler as 6 páginas do discurso e fazer uma auto crítica.

Em tempos de fama para os discuros, concordo e subscrevo, não o do Rei, mas o do nosso P.R..

Discurso de Tomada de Posse do Presidente da República

"Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhor Primeiro-Ministro e Membros do Governo,
Senhoras e Senhores Deputados,
Senhoras e Senhores,
Ao iniciar funções como Presidente da República, quero começar o meu mandato saudando o povo português de uma forma muito calorosa.
Saúdo todos os Portugueses, quer os que vivem no nosso País, no Continente e nas Regiões Autónomas, quer os que engrandecem o nome de Portugal nas comunidades da Diáspora.
Saúdo os Portugueses que me ouvem, mas também aqueles que, através da língua gestual, acompanham a palavra fraterna que lhes quero dirigir neste dia.
De todos serei Presidente.
Serei Presidente dos Portugueses que me honraram com o seu voto mas também daqueles que o não fizeram. É perante todos, sem excepção, que aqui assumo o compromisso solene de cumprir e fazer cumprir a Lei Fundamental da nossa República.
Ao Senhor Presidente da Assembleia da República, que desempenha com grande sentido de Estado a exigente missão de presidir à instituição onde a democracia e o pluralismo se realizam todos os dias, agradeço as palavras que me dirigiu.
Assumo perante vós, Senhores Deputados, o firme e sincero propósito de colaborar com a Assembleia da República, na certeza de que o momento que o País atravessa exige uma especial cooperação entre as diversas instituições democráticas.
Ao Governo e ao Senhor Primeiro-Ministro reitero o compromisso de cooperação que há cinco anos assumi perante os Portugueses. Pela minha parte, pode contar o Governo com uma magistratura activa e firmemente empenhada na salvaguarda dos superiores interesses nacionais.
Enquanto Presidente da República cumprirei escrupulosamente os compromissos que assumi perante os Portugueses no meu manifesto eleitoral. No quadro de todos os poderes que me são conferidos pela Constituição, serei rigorosamente imparcial no tratamento das diversas forças políticas, mantendo neutralidade e equidistância relativamente ao Governo e à oposição.
Irei cooperar com os demais órgãos de soberania para que Portugal ultrapasse as dificuldades do presente e actuarei como elemento moderador das tensões da vida política e como factor de equilíbrio do nosso sistema democrático.
Agradeço a presença nesta cerimónia dos representantes de países amigos, em particular dos países de língua oficial portuguesa. Reconheço no vosso gesto um sinal de apreço por uma nação soberana de muitos séculos, orgulhosa do seu passado e confiante no seu futuro.
Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,
Como sempre tenho afirmado, só um diagnóstico correcto e um discurso de verdade sobre a natureza e a dimensão dos problemas económicos e sociais que Portugal enfrenta permitirão uma resposta adequada, quer pelos poderes públicos quer pelos agentes económicos e sociais e pelos cidadãos em geral. A informação objectiva sobre a situação económica e social do País é um bem público que beneficia a sociedade no seu conjunto, porque estimula comportamentos favoráveis à resolução das dificuldades.
Os indicadores conhecidos são claros. Portugal vive uma situação de emergência económica e financeira, que é já, também, uma situação de emergência social, como tem sido amplamente reconhecido.
Acredito que conseguiremos ultrapassar os problemas actuais se formos capazes de dar uma resposta verdadeiramente colectiva aos desafios que temos à nossa frente, o que exige transparência e um conhecimento rigoroso e completo da situação em que nos encontramos. Como em tudo na vida, para delinearmos o melhor caminho para atingirmos o futuro que ambicionamos, temos de saber de onde partimos.
Nos últimos dez anos, a economia portuguesa cresceu a uma taxa média anual de apenas 0,7%, afastando-se dos nossos parceiros da União Europeia. Esta divergência foi ainda mais evidente no caso do Rendimento Nacional Bruto, que constitui uma medida aproximada do rendimento efectivamente retido pelos Portugueses. O Rendimento Nacional Bruto per capita, em termos reais, cresceu apenas 0,1% ao ano, reflectindo na prática uma década perdida em termos de ganhos de nível de vida.
De acordo com as últimas estimativas do Banco de Portugal, “o crescimento potencial da economia portuguesa, o qual determina a capacidade futura de reembolso do endividamento presente”, é actualmente inferior a 1% e, em 2010, o valor real do investimento ficou cerca de 25% abaixo do nível atingido em 2001.
O défice externo de Portugal tem permanecido em valores perto de 9% do produto, contribuindo, por força do pagamento de juros ao exterior, para a deterioração do saldo da balança de rendimentos, cujo défice anual, de acordo com o Banco de Portugal, se aproxima rapidamente dos 10 mil milhões de euros, privando a nossa economia de recursos fundamentais para o seu desenvolvimento.
Simultaneamente, a taxa de poupança nacional tem vindo a decair, passando de cerca de 20% do produto em 1999 para menos de 10% nos últimos dois anos.
Em 2010, o desemprego atingiu mais de 600 mil pessoas, o que contrasta com cerca de 215 mil em 2001. Nestes dez anos, a taxa de desemprego subiu de 4% para um valor de 11%.
Os dados publicados pela Comissão Europeia indicam que, em 2008, o número de residentes em Portugal que se encontravam em “risco de pobreza ou exclusão social” superava os 2 milhões e 750 mil, o que equivale a cerca de 26% da nossa população. De acordo com as informações qualitativas disponibilizadas pelas instituições que operam no terreno, esta situação ter se á agravado nos últimos dois anos.
A margem de manobra do Estado português para acudir às necessidades de crescimento da economia e para combater os problemas de natureza social encontra-se severamente limitada, como o provam os níveis da despesa pública, da dívida pública e do endividamento do Sector Empresarial do Estado, a que acrescem os encargos futuros com as parcerias público-privadas.
Também a capacidade dos agentes nacionais acederem ao crédito e de financiarem, quer as suas necessidades de capital quer o crescimento da economia, está cada vez mais dificultada. O saldo devedor da Posição de Investimento Internacional, que corresponde ao grau de endividamento líquido da economia, é superior a 100% do produto.
Os mercados continuam a limitar fortemente o recurso ao financiamento por parte do sistema bancário nacional, o que se reflecte num agravamento das restrições de acesso ao crédito por parte das famílias e das empresas e num aumento das taxas de juro.
Além disso, o financiamento do Estado continua a ser feito a taxas anormalmente elevadas, condicionando o funcionamento do sistema financeiro português e da nossa economia. É elementar perceber que, como escreve o Banco de Portugal no seu último Boletim Económico, e cito, “o actual contexto de elevados prémios de risco da dívida soberana para Portugal implica um serviço da dívida externa acrescido”. Existe, assim, um risco sério de o pagamento de juros ao exterior travar a indispensável redução do desequilíbrio externo, mesmo no caso de um comportamento positivo das exportações.
Vários outros indicadores podiam ser apresentados para confirmar que Portugal se encontra numa situação particularmente difícil.
Neste contexto, surpreende que possa ter passado despercebido nos meios políticos e económicos o alerta lançado pelo Governador do Banco de Portugal, em Janeiro passado, de que, e cito, “são insustentáveis tanto a trajectória da dívida pública como as trajectórias da dívida externa e da Posição de Investimento Internacional do nosso País”.
Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,
Portugal está hoje submetido a uma tenaz orçamental e financeira – o orçamento apertando do lado da procura e o crédito apertando do lado da oferta. Este quadro afectará negativamente o crescimento económico e a qualidade de vida das famílias, a não ser que os responsáveis políticos, económicos e financeiros correspondam, com firmeza e sem ambiguidades, à obrigação que têm de libertar o país desta situação.
Esta é a realidade que não deve ser ignorada e que é minha obrigação deixar bem clara no início do meu segundo mandato como contributo para que a urgência de actuar seja por todos apreendida. A resolução dos problemas exige plena consciencialização da situação em que estamos. É urgente encontrar soluções, retomar o caminho certo e preparar o futuro. Esta é uma tarefa que exigirá um esforço colectivo, para o qual todos somos chamados a contribuir.
Ao Estado cabe definir com clareza as linhas estratégicas de orientação, as prioridades e os principais desígnios para o todo nacional. Estas serão referências essenciais não apenas para o sector público mas também para a iniciativa privada.
Além disso, é imperativo melhorar a qualidade das políticas públicas. Em particular, é fundamental que todas as decisões do Estado sejam devida e atempadamente avaliadas, em termos da sua eficiência económica e social, do seu impacto nas empresas e na competitividade da economia, e das suas consequências financeiras presentes e futuras. Não podemos correr o risco de prosseguir políticas públicas baseadas no instinto ou em mero voluntarismo.
Só com políticas públicas objectivas, consistentes com uma estratégia orçamental sustentável e com princípios favoráveis ao florescimento da iniciativa privada, poderemos atrair investimento para a economia portuguesa e ambicionar um crescimento compatível com as nossas necessidades. Sem crescimento económico, os custos sociais da consolidação orçamental serão insuportáveis.
Neste contexto difícil, impõe se ao Presidente da República que contribua para a definição de linhas de orientação e de rumos para a economia nacional que permitam responder às dificuldades do presente e encarar com esperança os desafios do futuro.
Em coerência com o que tenho defendido e com o que está inscrito no meu manifesto eleitoral, entendo que há princípios muito claros de orientação estratégica que Portugal deve assumir. Face à situação em que o País se encontra, há que actuar simultaneamente no domínio estrutural, visando a resolução dos desequilíbrios que têm afectado a economia portuguesa, e no domínio conjuntural, visando mitigar o impacto negativo da actual crise sobre o emprego, sobre as empresas e sobre os Portugueses mais carenciados.
A nível estrutural, e como há muito venho a insistir, temos de apostar de forma inequívoca nos sectores de bens e serviços transaccionáveis. Só com um aumento da afectação de recursos para a produção competitiva conseguiremos iniciar um novo ciclo de desenvolvimento. Este é um desafio que responsabiliza, em primeiro lugar, o Estado e o sistema financeiro. De resto, é fundamental que os Portugueses assimilem, de forma convicta, a necessidade de produzir mais bens que concorram com a produção estrangeira. Um défice externo elevado e permanente é, por definição, insustentável.
Ainda no âmbito da afectação de recursos, é necessário estimular a poupança interna e travar a concessão indiscriminada de crédito, em especial para fins não produtivos e para sustentar gastos públicos. É imperioso reafectar o crédito disponível para as pequenas e médias empresas criadoras de valor económico e de emprego e para as exportações.
Em paralelo, é essencial traçar um caminho que permita o reforço da nossa competitividade e o aumento da produtividade do trabalho e do capital. A perda de competitividade da economia portuguesa é talvez o sintoma mais grave das nossas fragilidades.
Neste contexto, é crucial a realização de reformas estruturais destinadas a diminuir o peso da despesa pública, a reduzir a presença excessiva do Estado na economia e a melhorar o desempenho e a eficácia da administração pública.
Só com uma gestão rigorosa, determinada e transparente das contas públicas será possível um crescimento económico duradouro, a criação de novos e melhores empregos e a consolidação da credibilidade externa. A sustentabilidade das finanças públicas portuguesas é uma questão iniludível para a confiança dos investidores internacionais. Quando a taxa de juro da dívida pública é superior à taxa de crescimento nominal da economia aumenta a exigência em relação ao saldo primário das contas públicas.
É preciso valorizar a iniciativa empresarial e o conceito de empresa como espaço de diálogo e cooperação entre gestores e trabalhadores, captar e manter investimento de qualidade e aproveitar as vantagens comparativas de que Portugal dispõe.
É crucial aprofundar o potencial competitivo de sectores como a floresta, o mar, a cultura e o lazer, as indústrias criativas, o turismo e a agricultura, onde detemos vantagens naturais diferenciadoras. A redução do défice alimentar é um objectivo que se impõe levar muito a sério, tal como a remoção dos entraves burocráticos ao acesso da iniciativa privada à exploração económica do mar.
O futuro da economia portuguesa depende bastante da capacidade de acrescentar valor, de inovar e de incorporar mais conteúdo tecnológico nos nossos produtos. A interligação entre as empresas e os estabelecimentos de ensino superior e centros de investigação é da maior relevância.
Ainda no plano estrutural, é necessário garantir uma fiscalidade mais simples, transparente e previsível, melhorar a qualidade do investimento em formação e qualificação dos recursos humanos, assim como assegurar mais eficiência, credibilidade e rapidez no funcionamento do sistema de justiça. A justiça desempenha um papel crucial no desenvolvimento económico, como fonte de segurança e de previsibilidade, e funciona como referência para a captação de investimento internacional.
Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,
Na actual situação de emergência impõem-se, também, medidas de alcance conjuntural, que permitam minorar os efeitos imediatos da crise e criar o suporte económico e social necessário às transformações estruturais. Exige-se, em particular, um esforço determinado no sentido de combater o flagelo do desemprego.
A expectativa legítima dos Portugueses é a de que todas as políticas públicas e decisões de investimento tenham em conta o seu impacto no mercado laboral, privilegiando iniciativas que criem emprego ou que permitam a defesa dos postos de trabalho.
Por outro lado, é essencial valorizar o papel das empresas e do empreendedorismo, da mesma forma que se celebra, por exemplo, o sucesso dos nossos atletas na obtenção de títulos internacionais.
É importante reconhecer as empresas e o valor por elas criado, em vez de as perseguir com uma retórica ameaçadora ou com políticas que desincentivam a iniciativa e o risco. No actual contexto, são elas que podem criar novos empregos e dar esperança a uma geração com formação ampla e diversificada e que não consegue entrar no mercado de trabalho. São as empresas que podem dinamizar as exportações e contribuir para a contenção do endividamento externo. Não podemos assistir de braços cruzados à saída de empresas do nosso País. Pelo contrário, temos que pensar seriamente no que é que podemos fazer para atrair mais empresas.
O essencial do investimento rentável e virado para os sectores transaccionáveis vem das empresas privadas. Precisamos de valorizar, em particular, quem tem vontade e coragem de inovar e de investir sem precisar dos apoios do Estado.
É especialmente decisivo atrair os jovens para a iniciativa empresarial. O empreendedorismo jovem é hoje uma realidade em desenvolvimento no nosso país que deve ser apoiada para que surjam muitos mais casos de sucesso. Portugal precisa de uma nova vaga de empreendedores. Empreendedores com autonomia do poder político, que não esperem qualquer tipo de protecção ou de favores, cidadãos empenhados na qualidade e na inovação, dispostos a assumir riscos e a competir no mercado global.
Os nossos autarcas, que saúdo nesta ocasião solene, já compreenderam que o poder local adquiriu um novo perfil, a que correspondem novas exigências.
As autarquias podem assumir um papel fulcral na valorização da iniciativa empresarial, na criação de emprego e, genericamente, na resposta às dificuldades económicas e sociais das respectivas regiões.
Para além do contributo em iniciativas de apoio aos mais carenciados, tenho constatado que existe um número crescente de autarcas que estão a reorientar as suas prioridades para o tecido produtivo e para a valorização económica das suas regiões e dos seus recursos. Este é um caminho de futuro e também aquele que poderá ter um impacto mais rápido na economia nacional.
As iniciativas locais de emprego e os investimentos de proximidade são aqueles que podem produzir resultados de forma mais imediata e que melhor podem ser avaliados, reformulados ou reproduzidos.
Urge remover os obstáculos à reabilitação urbana, cujas potencialidades de criação de emprego e de promoção turística, embora há muito reconhecidas, permanecem em larga medida desaproveitadas.
Não podemos privilegiar grandes investimentos que não temos condições de financiar, que não contribuem para o crescimento da produtividade e que têm um efeito temporário e residual na criação de emprego. Não se trata de abandonar os nossos sonhos e ambições. Trata-se de sermos realistas.
As políticas activas de emprego desempenham também um papel importante no combate ao desemprego. A concertação social tem uma responsabilidade particular na definição de políticas de rápido efeito, avaliando resultados, corrigindo erros e servindo a criação efectiva de emprego.
A inovação e a incorporação de conteúdo tecnológico nos bens que produzimos são essenciais. Contudo, não podemos deixar de ver o potencial e a importância dos chamados sectores tradicionais. As vantagens competitivas adquiridas e aprofundadas por estes sectores, bem como a experiência que já têm do mercado internacional, não podem ser desaproveitadas nem vítimas de preconceitos. Estão em causa sectores tipicamente criadores de emprego, contribuintes positivos para a nossa balança externa e que são, além disso, elementos essenciais de coesão social e territorial.
Aumentar a eficiência e a transparência do Estado e reduzir o peso da despesa pública são prioridades não apenas de natureza estrutural, mas também conjuntural.
Realismo, avaliação rigorosa das decisões, justiça na distribuição dos sacrifícios e melhoria do clima de confiança são exigências impostas pelo presente, mas que devemos também às gerações futuras. O caminho é possível, mas não será fácil nem rápido.
Reitero a minha convicção de que está em causa um esforço colectivo. É importante, por isso, que Governo, Assembleia da República e demais responsáveis políticos assumam uma atitude inclusiva e cooperante, que seja também factor de confiança e de motivação para os nossos cidadãos. A estabilidade política é uma condição que deve ser aproveitada para a resolução efectiva dos problemas do País. Seria desejável que o caminho a seguir fosse consubstanciado num programa estratégico de médio prazo, objecto de um alargado consenso político e social.
Espero que todos os agentes políticos e poderes do Estado e os agentes económicos e financeiros estejam à altura das dificuldades do momento e dêem sentido de futuro aos sacrifícios exigidos aos Portugueses.
Da União Europeia devemos esperar não apenas que assegure a estabilidade e a sustentabilidade da Zona Euro, mas também que desenvolva uma estratégia comum e solidária que promova o crescimento, o emprego e a coesão.
Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,
A nossa sociedade não pode continuar adormecida perante os desafios que o futuro lhe coloca. É necessário que um sobressalto cívico faça despertar os Portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes públicos.
O País terá muito a ganhar se os Portugueses, associados das mais diversas formas, participarem mais activamente na vida colectiva, afirmando os seus direitos e deveres de cidadania e fazendo chegar a sua voz aos decisores políticos. Este novo civismo da exigência deve construir-se, acima de tudo, como um civismo de independência face ao Estado.
Em vários sectores da vida nacional, com destaque para o mundo das empresas, emergiram nos últimos anos sinais de uma cultura altamente nociva, assente na criação de laços pouco transparentes de dependência com os poderes públicos, fruto, em parte, das formas de influência e de domínio que o crescimento desmesurado do peso do Estado propicia.
É uma cultura que tem de acabar. Deve ser clara a separação entre a esfera pública das decisões colectivas e a esfera privada dos interesses particulares.
Os cidadãos devem ter a consciência de que é preciso mudar, pondo termo à cultura dominante nas mais diversas áreas. Eles próprios têm de mudar a sua atitude, assumindo de forma activa e determinada um compromisso de futuro que traga de novo a esperança às gerações mais novas.
É altura dos Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem claramente que só uma grande mobilização da sociedade civil permitirá garantir um rumo de futuro para a legítima ambição de nos aproximarmos do nível de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia.
Esta é uma tarefa de todos, cada um tem de assumir as suas próprias responsabilidades. É essencial que exista uma união de esforços, em que cada português se sinta parte de um todo mais vasto e realize o quinhão que lhe cabe.
Necessitamos de recentrar a nossa agenda de prioridades, colocando de novo as pessoas no fulcro das preocupações colectivas. Muitos dos nossos agentes políticos não conhecem o país real, só conhecem um país virtual e mediático. Precisamos de uma política humana, orientada para as pessoas concretas, para famílias inteiras que enfrentam privações absolutamente inadmissíveis num país europeu do século XXI. Precisamos de um combate firme às desigualdades e à pobreza que corroem a nossa unidade como povo. Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.
A pessoa humana tem de estar no centro da acção política. Os Portugueses não são uma estatística abstracta. Os Portugueses são pessoas que querem trabalhar, que aspiram a uma vida melhor para si e para os seus filhos. Numa República social e inclusiva, há que dar voz aos que não têm voz.
No momento que atravessamos, em que à crise económica e social se associa uma profunda crise de valores, há que salientar o papel absolutamente nuclear da família. A família é um espaço essencial de realização da pessoa humana e, em tempos difíceis, constitui o último refúgio e amparo com que muitos cidadãos podem contar. A família é o elemento agregador fundamental da sociedade portuguesa e, como tal, deve existir uma política activa de família que apoie a natalidade, que proteja as crianças e garanta o seu desenvolvimento, que combata a discriminação dos idosos, que aprofunde os elos entre gerações.
O exercício de funções públicas deve ser prestigiado pelos melhores, o que exige que as nomeações para os cargos dirigentes da Administração sejam pautadas exclusivamente por critérios de mérito e não pela filiação partidária dos nomeados ou pelas suas simpatias políticas.
A coesão entre as gerações representa um importante activo de que Portugal ainda dispõe. Os jovens não podem ver o seu futuro adiado devido a opções erradas tomadas no presente. É nosso dever impedir que aos jovens seja deixada uma pesada herança, feita de dívidas, de encargos futuros, de desemprego ou de investimento improdutivo.
O exemplo que temos de dar às gerações mais novas é o exemplo de uma cultura onde o mérito, a competência, o trabalho e a ética de serviço público sejam valorizados. Entre as novas gerações, Portugal dispõe de recursos humanos altamente qualificados. Se nada fizermos, os nossos melhores jovens irão fixar-se no estrangeiro, processo que, aliás, já começa a tornar-se visível.
É fundamental que a sociedade portuguesa seja despertada para a necessidade de um novo modo de acção política que consiga atrair os jovens e os cidadãos mais qualificados. O afastamento dos jovens em relação à actividade política não significa desinteresse pelos destinos do País; o que acontece, isso sim, é que muitos jovens não se revêem na actual forma de fazer política nem confiam que, a manter-se o actual estado de coisas, Portugal seja um espaço capaz de realizar as suas legítimas ambições. Precisamos de gestos fortes que permitam recuperar a confiança dos jovens nos governantes e nas instituições.
Seria extremamente positivo que os jovens se assumissem como protagonistas da mudança, participando de forma construtiva, e que as instituições da nossa democracia manifestassem abertura para receber o seu contributo. A geração mais jovem deve ser vista como parte da solução dos nossos problemas.
Numa sociedade que valoriza o mérito, a educação é o elemento-chave da mobilidade social. Aqueles que dispõem de menores recursos, mas que revelem méritos e capacidades, têm de ser apoiados, para que não se aprofundem situações intoleráveis de desigualdade entre os Portugueses.
Temos de despertar toda a sociedade para a importância do investimento na excelência da nossa educação. Todos os estabelecimentos de ensino que se destaquem pelos seus resultados têm de merecer o reconhecimento da sociedade e do Estado. Só assim se cumprirá o ideal de premiar o mérito que norteou a nossa República centenária.
Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,
Ao tomar posse como Presidente da República, estou firmemente convicto de que existem razões de esperança para o nosso País.
Ao longo da sua História, Portugal viveu dificuldades e, com coragem, determinação e vontade de vencer, foi capaz de ultrapassá-las.
Logo a seguir à revolução do 25 de Abril, a sociedade civil deu uma prova excepcional da sua vitalidade na forma como acolheu, sem convulsões, quase um milhão de Portugueses que regressaram de África, em condições extremamente difíceis. Graças ao apoio das famílias e de diversas instituições, a sua integração no País processou-se sem sobressaltos de maior, apoiada naquela que é uma das melhores qualidades do nosso povo: a capacidade que revela para, nas horas difíceis, dar provas de um espírito de solidariedade e de entreajuda que é absolutamente extraordinário. Esse espírito é nosso, é único, é o espírito de Portugal.
Todos os dias, encontramos esse espírito solidário nas diversas campanhas de apoio aos mais desfavorecidos. Os jovens participam nessas campanhas como voluntários, aos milhares. Sem nada pedirem em troca, sem pensarem em cargos ou proveitos para si próprios. Aos jovens, que nos dão tantas lições de vida, quero deixar aqui, neste dia, o testemunho da minha admiração mais profunda.
Temos jovens talentosos que ombreiam com os melhores do mundo, em inovação empresarial, em qualidade académica e científica, em criatividade artística e cultural. Há uma nova geração que ganha sucessivos prémios nas mais diversas áreas da investigação, que assume papéis de liderança nos mais variados projectos, que participa com grande entusiasmo e admirável generosidade em acções de voluntariado social ou nas campanhas de defesa do ambiente.
Os nossos jovens movem-se hoje à escala planetária com uma facilidade que nos surpreende. Cidadãos do mundo, familiarizados com as novas tecnologias e a sociedade em rede, dispõem de um capital de conhecimento e de uma vontade de inovação que são admiráveis. Muitos dos académicos, investigadores, profissionais de sucesso e jovens empresários que trabalham no estrangeiro aspiram a regressar ao seu país, desde que possuam condições para aqui fazerem florescer as suas capacidades. Temos de aproveitar o enorme potencial desta nova geração e é nela que deposito a esperança de um Portugal melhor.
Foi especialmente a pensar nos jovens que decidi recandidatar-me à Presidência da República. A eles dediquei a vitória que os Portugueses me deram. Agora, no momento em que tomo posse como Presidente da República, faço um vibrante apelo aos jovens de Portugal: ajudem o vosso País!
Façam ouvir a vossa voz. Este é o vosso tempo. Mostrem a todos que é possível viver num País mais justo e mais desenvolvido, com uma cultura cívica e política mais sadia, mais limpa, mais digna. Mostrem às outras gerações que não se acomodam nem se resignam.
Sonhem mais alto, acreditem na esperança de um tempo melhor. Acreditem em Portugal, porque esta é a vossa terra. É aqui que temos de construir um País à altura das nossas ambições. Estou certo de que, todos juntos, iremos vencer.
Obrigado."

16 fevereiro 2011

O analfabeto

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos - o político vigarista, desonesto, corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Bertolt Brecht (1898-1956)

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